A emoção de testemunhar em imagens um parto

Não sei bem explicar porquê, mas quando comecei a fotografar como MU, soube que queria um parto…
Talvez porque pesquise muito, e me tenha apaixonado por este conceito que já se faz muito lá fora, de uma maneira muito bonita.

Depois de fazer um “casting call” em 2015, rapidamente chegaram uns amigos nossos, prontos para se entregarem como cobaias.
Vou evitar os nomes, apenas por proteção da intimidade desta família querida, o momento que partilham já é enorme, por isso protegemos os nomes.

A R. estava grávida de primeira viagem, quando quis embarcar comigo nesta aventura.
Afinal seria para me deixar entrar num momento em que não sei se todos deixariam entrar, muito menos de primeira viagem…
Mas!!!
Esta Mãe deixou. E é uma Mãe daquelas mesmo à séria, despachou-se tão rápido no que toca a fazer nascer o seu primeiro rebento.
Ou seja, não cheguei a tempo de fotografar o nascimento do F, em 2015, quando estava tudo pronto, autorizado e tratado.

Ficámos todos com uma sensação de vazio, apesar da riqueza gigante que tinha acabado de chegar, o bebé F. Lindo!

Depois disso, os anos foram passando, de certo modo fui deixando estes planos de lado, apesar de estar cá sempre este bichinho de me levar até um bloco de partos.

Ano e picos depois, esta família aumentou, vinha mais um a caminho. Não tardámos em falar, voltar a pôr em cima da mesa a vontade e a hipótese de tentarmos de novo.
E desta vez, deu tudo CERTO!!
Cheguei a tempo.

Afinámos todos os detalhes, sempre em comunicação com a Médica Obstetra, e chegou finalmente o grande dia. Num dia perfeito em que concretamente eu conseguiria estar presente, no meio de Casamentos, doenças do meu filho Manel, festas, edições, marcações e consultas, estava a ver que não conseguia ter um dia livre, mas deu mesmo tudo certo, graças a Deus,
Deixei o Manel na escola e voei no meio do transito até Lisboa, para ir ter com eles.
Sempre com o coração nas mãos, não fosse o A. nascer antes da Mu chegar ao local… É que, era bem possível.

Cheguei, lembro-me de subir o elevador com o coração nas mãos a respirar curtinho, o meu bebe na barriga aos pulos com tanta adrenalina.
Abriram-se as portas e estava lá, a esbarrar comigo, o Pai V.
Disse-me: “Calma!!! Está tudo bem!”
E estava…

Vi a Ri, lá me acalmei, na verdade não era hora para me estar eu a enervar, tinha que transmitir paz e segurança.
Falámos muito, a R fez um trabalho de parto muito calmo e tranquilo sem dor, apesar de algumas complicações para o final e para a hora “H”, uma Mãe de mão cheia que aguentou, e a fazer de tudo para o seu rebento chegar bem a este mundo.
Depois de umas horas chegou o bebé A., foi um momento, que não sei bem descrever.

Estava muito focada na boa fotografia que queria fazer, e por isso muito atenta a ver tudo através da lente, que é sempre bastante diferente de ver a olho nu.
Estava em enorme concentração.
“Carminho, pronta?!” – Disse-me a Dra. Cristina.
“Aí vem, ele é grandeee!” – e foi desde então que não parei de disparar.

Só pensava: O foco, o foco, o foco!!!! 
Para quem fotografa sabe que este é o ponto da fotografia por vezes tramado.
Tantas vezes podemos ter uma fotografia deslumbrante, “perfeita” mas que nos falha pelo simples facto de não estar bem focada… É um arraso para um fotógrafo falhar no foco, mas é mesmo muito comum e normal. Só a prática o fará sair cada vez mais naturalmente, domina-lo cada vez mais, e fazê-lo com segurança e rapidez.

Consegui a fotografia que queria, aqui está:

O resto guardo na intimidade que pertence a estes 4 queridos amigos, e mostro mais um pouco por imagens, bonitas, fortes.
Um enorme bem haja à querida Dra. Cristina Horgan que foi incansável, um olhar tão atento, seguro, amigo e carinhoso, à sua equipa e Hospital Cuf.
Obrigada a esta família por me terem permitido estar neste dia tão importante, foi único.
Um beijinho e até breve,
A vossa MU

Todas as fotografias são de autoria e de direito Mu Blog – Carmo Sousa Lara.

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