Quando eu renasci – O parto do Fernando.

Navegar 30 dias atrás dá-me borboletas na barriga, fico com pele de galinha e fico sobretudo com uma imensa vontade de chorar.
Sim chorar.
Chorar para mim tornou-se neste recurso tão libertador e verdadeiro.
Eu, que prendi o choro durante vinte e muitos anos, as lágrimas que não saiam de dentro, transformavam-se em pequenas pedras no meu coração, que aos poucos ia enrijecendo, ia-se atormentado.
E desde o dia em que casei, chorei à frente de 200 pessoas, desde esse dia não mais fui a mesma.
Já o faço, mas ainda não tanto quando gostaria, ou pelo menos, não tão às claras.
Ainda o escondo das pessoas que amo. Devagar vamos lá!

E há 1 mes atrás chorei.
Berrei ainda mais que chorei.
Nascia o meu segundo filho.
No dia 28 de Março, 4 dias depois de eu fazer 31 anos de vida, estava a nascer o bebé Fernando, depositava a minha vida e todas as feridas ainda abertas, neste mesmo parto.
Alguns sabem, o parto do Manuel foi um parto muito traumático, doloroso, sofrido. O pós-parto foi das fazes mais difíceis e complicadas da minha vida – Dor, dor, dor. Muitos problemas, uma recuperação lenta de um parto não humano, de um parto bruto, com pouco respeito, pouco cuidado… De um parto maltratado e agressivo, que me deixou arrasada.
Foi inesquecível este acontecimento, e porque a minha vida tinha que prosseguir com alegria, com menos mágoa, aos poucos tinha que encontrar o lugar certo para organizar e arrumar este momento da minha vida – o Trauma, a dor.
Fi-lo… aos poucos, ficaram cicatrizes, dores, que desde então, conversam comigo e me fazem nunca poder esquecer esse dia.

A vida continuou.
Gritei a mim mesma que jamais teria outro filho e passaria por aquilo, eu… que sonhava ter uma casa cheia de crianças.
O facto é, os anos foram passando e aos poucos esse trauma foi ficando mais distante.
Sufocava-me a ideia do meu primeiro filho continuar a crescer “sozinho” sem um irmão, eu que tenho tantos e sei o bom que isso é para o crescimento de uma família, mas sempre com a certeza, de que, um filho não é um capricho, mas sim uma dádiva muito grande, uma benção.

Falámos muito em casal sobre este assunto, este tinha que ser um passo concretizado de mãos e de corações dados em casal, chegou a hora em que encontramos a nossa harmonia e sintonia.
Esse tempo até lá chegarmos, foi o tempo certo para poder desejar desmedidamente um outro filho – que bom que isto aconteceu – houve o tempo para digerir tudo com calma e muito amor.

Deus então, abençoou-nos de novo e chegou o Fernandinho até à minha barriga – Uma nova gravidez, tão diferente da primeira e apesar de todas as curvas e contra-curvas de uma gravidez, é um momento que eu gosto muito de viver.
Surpresa a minha, este bebé decidiu ficar aqui em gestação até (agora sei) o seu momento certo!
Eu, impaciente.. frustrei-me para caramba, com a nunca mais chegada do meu Fernandinho, só queria que ele nascesse e nada!
Fomos então, até às 40 semanas e 3 dias de gestação (perfeitamente dentro dos prazos, mas para mim na altura já pareciam 12 meses de gravidez), desde cedo com contrações fortes, especialmente à noite, quando me deitava na cama, era um festim de dor.

Até que, dia 28 de Março, tinha marcação no hospital de Cascais para um novo CTG e consulta para avaliação.
Nesse CTG (estou-me a rir…) a querida enfermeira Margarida (tão doce), perguntava-me: “Ah! Então e nestas contraçõezinhas pequeninas, tem dor?!?!”

Silêncio…

Contra-çõe-ZINHAS?? Perguntei eu…
ESTOU CHEIA DE DORES, disse em tom quase mal criado (desculpe-me querida Margarida!).
Para mim já eram contrações monstras, mas, como todas até aqui, irregulares.

Fui então para o gabinete com a Dra. Lurdes, que me observava pela segunda semana, ui coitada… ouviu-me tanto lamentar!!!
Nesta fase, já não ligava nem acreditava a nada do que me diziam, encolhia os ombros e fazia “puffff”…. (Ai que feitio, Maria do Carmo).

Viram-me, e qual não foi o espanto… O Fernando parecia estar a dar o ar de sua graça.
Abriram-se as bocas de admiração e ainda me disseram que por elas eu ficava já por lá, mas infelizmente o hospital estava cheio e não valia a pena fazer isso (e ainda bem!!!) tudo indicava que lá mais para o noite, podia ser que o Fernando decidisse nascer.
Então a Dra. aconselhou-me que fosse andar (mais) a pé (já o fazia todos os dias) e a fazer mais exercícios na bola de Pilatos (que fiz desmedidamente e posso dizer que foi o melhor investimento que fiz em toda a gravidez foi nesta bola azul –  e o quão fez a MAIOR das diferenças no parto).

Bom… Saí da consulta e ainda tinha algum tempo antes de ir buscar o Manuel à escola, não tinha era gasolina no carro para ir e vir até paredão fazer a tal caminhada, então, why not ir fazer o jogging para o Decathlon? Mal a mal, sempre via as modas e não tinha que pegar no carro.

Tal não era a minha fúria, fiz todos aqueles corredores de uma ponta à outra em passo eufórico e a bater bem o pé!
Saí deste estabelecimento com novas contrações, e desta vez e não desaparecerem, upa upa pensei!!! Se calhar estão mesmo a começar, mas era tudo muito ligeiro, ainda.

Então lá fui buscar o Manuel à escola, disse à Miki que o mano bebé talvez chegasse naquele dia, mas lá mais para a noite (de alguma forma, convenci-me que era lá para a noite).
Liguei ao Manuel marido e disse-lhe como estava, sugeri que viesse andando para casa, mas que não era caso para alarmes, na verdade, sentia-me meia estérica porque no dia antes já tinha havido falso alarme, então voltei a dizer-lhe que talvez não fosse caso de drama, ele que decidisse, caso não houvesse impedimento da parte do seu trabalho. Graças a Deus ele veio!

Chegámos a casa ao mesmo tempo, e aqui começou a minha cabeça a entrar em modo logística, ok, não temos comida em casa, nem um pacote de leite ou pão para dar à minha querida sogra que nos ajudaria com o Manuel.
Preocupada, disse ao meu marido que talvez fosse melhor irmos até ao supermercado, então lá fomos os três até ao Continente. Lembro-me de pensar que era arriscado e longe, ia demorar, mas vá… isto não está assim tão grave, eu aguento!

Esta foi a fotografia que o meu Manelinho me pediu para tirar quando chegámos ao supermercado (depois de ir pôr gasolina no carro e eu nos stories do instagram a divertir-me).

Fomos fazer as compras, e claro, num hipermercado já agora, levamos mais isto e mais aquilo, típico.. num nada estávamos a fazer as compras do mês.
Eu ainda achei por bem, consultar os talões, descontos, e ir à outra ponta do supermercado procurar cremes hidratantes, o meu estava no fim, chato ir para o hospital sem creme!

Nesta fase dos cremes, as contraçõezinhas disparam, a coisa começa a ganhar dinâmica e muita intensidade – de repente estava oficialmente a entrar em trabalho de parto – ups!

Fui de volta ter com os Manéis, já morta de dores, a andar toda atrapalhada, a coxear, mas a manter a compostura (ou pelo menos tentava)… Deu para discutirmos (aos berros), no meio do continente, com alguns probleminhas familiares e de logística, eu só pensava que me estava a nascer uma criança e nós ali plantados.

Problemas graças a Deus resolvidos, segue para a charcutaria, sim.. ainda achei por bem ir ao fiambre.
Pão que é bom sem fiambre ou queijo não vale nada, precisávamos parar neste posto!
Tirámos a senha e eu, educadamente não queria passar à frente e ouvir os comentários sempre tão desagradáveis das pessoas e desta lei ranhosa de prioridades (em que se tem de pedinchar e levar com bocas).

Assunto arrumado nos queijos, seguimos, e aqui eu já só suava do buço e parecia que tinha um vulcão ardente e a entrar em erupção dentro de mim… doressss!!!
Chegamos finalmente às caixas, a fila quase que ia e vinha de tão enorme que estava, eu, mais o meu trauma em pedir para passar fiquei reticente, o Manuel graças a Deus avança e eu penso, avanço também e AÍ DE ALGUÉM que me diga uma palavra, no mínimo acho que desfazia essa pessoa, de já tão fora estava de mim…

Caixa, pôr tudo no tapete, marido vai ao fim do mundo buscar um carrinho porque afinal as compras eram gigantes e não conseguíamos levar os sacos, nisto o Manelinho decide entrar em modo birras sem fim, queria chupas, mais isto e aquilo, eu já encarnada que nem um tomate, suada, gritava e devo-lhe ter dado tudo só para silenciar aquele momento já meio descontrolado.
Lembro-me que a Senhora da caixa estava a achar aquilo tudo estranho.
Há por aqui partes em que o meu cérebro apagou e eu esqueci-me.

Finalmente, chegamos ao elevador – upaaaa!! Já só me lembro que em cada contração, ficava bloqueada no mesmo lugar, de pernas fechadas e a suster respiração, cabeça para baixo, fechava os olhos, a dor começou a ficar alucinante – estava a viver tudo o que tinha passado no parto do Manuel, também sem epidural –  eu não estava a acreditar que aquelas dores MONSTRAS que vivi há três anos e meio atrás e que eu tinha TRANCADO nas minhas memórias estava ali, a chegar e a rebentarem comigo – NÃÃÃÃÃÃOOOOOOOO!!! NÃO ERA POSSÍVEL!!

PORQUÊÊ?????? Pensava eu….

Tirem-me deste PESADELO!

Como assim as pessoas pariam crianças assim??

(Deu para pensar num monte de coisas…)

Carro, compras, Manuel na cadeira, segue para casa!
No caminho, aí Jesus, tudo se multiplicava, estava com contrações a menos de 5 minutos de espaçamento, o bebé estava mesmo a querer nascer assim de uma hora para outra.
Tivemos que ir a casa descarregar as compras e deixar o Manelinho, chegámos e a providência divina enviou a minha querida Sogra, que acolheu o Manuel – Não me perguntem como teria sido, se isto não tivesse acontecido, não tínhamos onde deixar o nosso boneco e possivelmente eu tinha tido o bebé em casa.

Quando saio do carro, sinto quente entre as pernas, enquanto abro a porta do carro e digo calmamente – bolas, rebentaram as águas.
Mas ainda tinha algumas tarefas a completar:

  • Dar as bombas da asma à minha sogra;
  • Dar os lençóis, caso fosse preciso mudar camas;
  • Largar as comprar;
  • Apertar e dar o maior beijinho do mundo ao meu Manelinho. Fiz questão de o puxar para o meu colo, sob o risco de me cair pelas pernas o Fernando. Mas tinha que ir na certeza de que lhe dizia amo-te, e que ele ficava bem.

O Manuel marido ainda estava a fim de arrumar as compras, mas lá seguimos caminho.
Fui de coração descansado, porque tudo o que eu não queria era “abandonar” o Manelinho… Não queria nada que este parto acontecesse durante a madrugada e nós tivéssemos que fugir de casa sem aviso e ele se sentisse desamparado. Assim, fui na certeza de que ele estava bem, com uma pessoa de quem ele adora, a brincar e cheio de entusiasmo por estar a chegar o seu irmão.

Caminho casa – hospital = Gritaria, choro e começo do descontrolo.
Sim.. Descontrolamo-nos.
Já não aguentava aquelas dores horrorosas, sem espaço entre elas.
Quando acaba a dor de uma contração, começamos a ressuscitar, mas logo depois chega outra.
Começámos então a contar, e as contrações estavam com 2 e 1 minutos de espaçamento.
Desesperada, no meio de quatro piscas e muitas buzinadelas (foi muita bem, querido!) disse-lhe entre muitas lágrimas que já não ia chegar a tempo da epidural… Eu sabia perfeitamente o que estava a acontecer, e que estava com um pequeno problema de timings!!!

Chegámos ao hospital, ainda me dobrei toda ao sair do carro, o Manuel assustado, achava que eu me ficava ali, mas não fiquei.
Consegui ganhar fôlego, levantar-me e de olhos mergulhados, retirei uma senha.
Lembro-me de ver duas pessoas à minha frente no guichê a discutirem, eu… já sem forças, estendi-me ali, quase morta, e o Manuel, enfiou-se para dentro do balcão e disse firmemente “olhe, a minha Mulher está a ter um filho!!”.

A simpática Senhora, prontamente levantou-se, pediu os meus documentos e me disse para ir para a sala de espera.
Sala de espera!!!! Pensava eu, como assim?
Tinha três Senhoras idosas estáticas a olharem para mim, de calças ensopadas, roxa, a chorar, e profundamente envolta e tomada em dores tão fortes.
Sou chamada para a primeira triagem:

  • Então o que se passa?
  • Estou com contrações!
  • De 5 em 5 minutos??
  • NÃÃÃOOOOO MENOS! DE 1 EM 1, menos até!!

Acabou-se a conversa e a enfermeira agarrou-me na mão para subirmos.
Foi quando olhei para o lado e estava a chegar o meu marido de volta, respirei de alívio por o ter comigo, estava apavorada.
Subimos e no elevador já só me agarrava aos varões, mordia a boca e me enrolava toda, que dores sem fim…
Subi, e tive que me separar do Manuel, a enfermeira continuava comigo e lembro-me que sem pensar lhe agarrei nas mãos, como criança segura um Pai, desamparada, só lhe pedia, por favor uma epidural.

Chego à segunda triagem.
Lembro-me de pensar, porquê tantos postos a picar até chegar ao bloco de partos, aquela criança estava a nascer e eu estava afogada em dores.
“Já lhe rebentaram as águas…” Dizem ao olharem para mim – lol!
Sim…
Pedem para me despir, e eu não simplesmente já não conseguia mexer-me mais.
Expliquei que tinha que esperar por um intervalo de contrações, só que… já não haviam muitos intervalos, ou os que haviam, eram demasiado curtos.
Lá consegui, deitar-me na horizontal foi ir à loucura, e fui observada.

Silêncio….

Já fui.
Quando há silêncios há caso.

Vejo uma cadeira de rodas a chegar, continuo só a falar na epidural e ninguém me responde, sigo caminho.
Numa curva vejo uma pessoa passar, olho-lhe nos olhos, aponto-lhe o dedo e o braço e grito: “ENFERMEIRA RITAAAA”.
Era a Enfermeira parteira que tinha feito o parto a uma amiga, e que me tinha sido tão bem recomendada!!
“O que é que eu fiz??!!” – Perguntava a Enf. Rita assustada comigo.

QUE SORTE TER APANHADO A ENF. RITA!!!

Chego finalmente ao bloco de partos. Aqui a minha memória falha-me, muito, porque estava literalmente a alucinar de tanta dor.
Lembro-me que fiquei estacionada meio na diagonal, na cama de partos, não sei se fui eu ou alguém que me despiu o resto da roupa e alguém me vestiu uma bata.
Fiquei só com as meias que consegui levar rotas – Boa, Carmo!

Isto lembro-me muito bem, disseram à enfermeira Rita que eu desejava epidural, mas o tom em que disseram isto, já dizia que era logicamente impossível… A Enf. Rita espreitou-me, olhou-me de seguida seriamente nos olhos e disse-me:

  • “Maria do Carmo, não vai dar para a epidural.”

A minha vida acabou, era o fim.
Lembro-me que a minha cabeça deu várias voltas, queria fugir, parar aquilo, congelar… qualquer coisa que não avançar, não era possível, não era mesmo….

Foi então, que comecei a gritar como uma louca, dizem que era um soprano, ou um apito estilo sirene.
A Enf. Rita, caridosamente e muito pacientemente me disse que podia gritar à vontade, mas tinha que fazer força.
O quão agradecida eu lhe estou por me ter dito isto, porque literalmente me libertei e gritei, muito, mas tanto, que nem vos passa minimamente pela cabeça. Acho que o hospital todo ouviu aquilo e se assustou.

Não deu sequer tempo para me colocarem o cateter na mão!! Aliás colocaram mas saiu, só depois de o ter o bebé ao colo é que me colocaram de novo.

A ideia que tenho, é de ter 20 pessoas dentro daquela sala, todos com caras estáticas….
Perguntei à Enf. Rita quanto tempo é que ia demorar aquela sessão de tortura. A enf. disse-me que tudo dependia de mim, ou 5, 10 15 ou 20 minutos.

Sabia que estava tudo nas minhas mãos, mas não estava a fazer força, estava bloqueada naquela dor sem fim.
Alguém se lembrou do Manuel e foram-no rapidamente buscar, assim que ouvi o seu nome berrei e disse que não queria que ele entrasse na sala de partos. Estava num estado tão lastimável, que pensei se ele visse aquilo pedia o divórcio, não queria.
Graças a Deus ignoraram-me e ele entrou.

Entrou a minha salvação.

Foi aí, ao ouvir do canto onde ele se enfiou:
“Carmo! Ele está mesmo a sair, faz força.” – Com tanta firmeza.
Era tudo o que eu precisava DESBLOQUEEI, FIZ FORÇA.

Apaga-se de novo a memória.

Ouvir a sua voz, encheu-me de forças e aí sim, fiz força três vezes e eis que senti segundo a segundo, a expulsão do meu bebézinho –  Foi a experiência mais INACREDITÁVEL da minha vida.
Depois daquelas dores todas alucinantes, loucas, desmedidas, horrorosas, pavorosas, péssimas, inimagináveis…. Senti cada momento do nascimento que eu, o meu corpo, fiz.
Saíu a cabeça do bebé, e veio de imediato uma enfermeira pedir para parar de fazer força, pois o bebé tinha o cordão à volta do pescoço.
Tiraram, voltámos ao parto, tive que fazer força novamente, passar por mais um momento de horror e tinha o meu pequenino nos braços – ACABOU TODA A DOR.

Foi … brutal, surreal, inacreditável….

Pensei durante tudo aquilo, que não merecia estar a passar por toda aquela atrocidade, dor… eu precisava de fazer as pazes com o parto, e aquilo não estavam a ser pazes nenhumas, estava a ser mais guerra, mais um momento épico, desmedido, cheio de dor, não era nada daquilo que eu tinha pedido, não estava a compreender.

Mesmo antes do Fernandinho nascer, a. enfermeira Rita disse-me que ia ser um momento mágico, eu achei que devia estar a gozar comigo, porque não havia ponta de magia naquela sala, havia só tortura.

E hoje, posso dizer de sorriso rasgado na cara: Não sei se seria capaz de passar por tudo aquilo outra vez, aliás, sei que não conseguiria, porque achei que ia morrer, mas sei também que este foi o parto que eu precisei, este foi o parto que Deus sonhou para mim, e pelos vistos apesar de ter gritado que estava-me a sentir mal e que estava a morrer, não morri, pelo contrário:

RENASCI.

E foi o momento mais MÁGICO de sempre.

Vivi, senti, e fui tão bem acompanhada, tão bem tratada.

Neste artigo, quero deixar o meu sentido de gratidão desmedido pelo hospital e por todas as pessoas e equipas por onde passei, que me trataram como uma princesa – esta era outra ferida a precisar de paz, de sarar, e curou!! Fui bem tratada, ninguém foi violento comigo.
Uma maternidade sem igual, onde todos, desde enfermeiros a auxiliares, todos sem excepção foram espetaculares comigo e connosco.
Já consegui agradecer tudo isto à querida Enfermeira Rita, mas hoje e publicamente lhe deixo aqui, o meu maior agradecimento por este momento de tanto amor e de tanta entrega – Rita, muito obrigada por seres uma pessoa tão entregue ao teu trabalho. Por não teres vacilado comigo, por teres sido firme ao ponto de eu não desistir.

Obrigada à Enfermeira Mariana.
Obrigada à Enfermeira Margarida.
Obrigada a uma das mais antigas auxiliares do hospital, o qual eu nem o nome perguntei, e que deu umas luvas ao meu Fernandinho, que se esgatanhou todo, estava com umas unhas gigantes. e depois, brincou com o Manelinho quando me foi visitar. Nada disto tem preço, é desmedido.

Já consegui também reecontra-la e dar-lhe um enorme abraço.
Obrigada.

Obrigada a aos pediatras que avaliaram e cuidaram do meu filho, obrigada à Obstetra que me observou e me deu alta. Obrigada a todas as enfermeiras do internamento.

De coração – Obrigada Hospital de Cascais.
Nunca pensei que fosse, de facto, um serviço tão competente e tão bom, parabéns.
Um beijinho a todos, muito obrigada por lerem e viverem esta história comigo.
Até breve,

A vossa Mu

No Comments

Post A Comment