Reencontro

As Mães também precisam de reencontro… Consigo mesmas.
Elas também se perdem e andam à deriva.
As Mães, ganham um poder de tal maneira desmedido, que lhe faz ser possível viver intensamente em função do outro, esquecer-se de si, cuidar 24h sob 24h sem a mínima intenção de receber de volta. Elas, viram tão bicho ,que o seu umbigo saí de si.

As Mães também se sentem cansadas, ou exaustas, melhor dizendo.
As Mães, não são todas iguais, gostam de coisas diferentes, umas até são mais leoas do que outras, umas mais dedicadas que outras, umas mais intensas que outras, umas mais activas que outras, umas mais presentes que outras…. Mas todas, têm algo em comum:
Geraram vida dentro de si.
E nesse ponto, a vida mudou para todo sempre, não mais serão igual, ainda que lhes troquem muitas voltas.

Eu preciso de reencontro.

Comigo, com os meus sentimentos, com a minha verdade.
Sei que quando dou por mim, já estou à deriva, que nem barqueiro perdido num oceano escuro, assustado.
Primeiro instinto é saltar bordo fora, terminar logo ali com toda a angústia, medo, incompreensão, perda…
Mas é só o primeiro instinto.
Os outros, mais demorados, pedem para ficar, para manter a calma, para respirar, para me lembrar que sou assim, que nem sempre sei lidar com as minhas angústias e que faço tempestades em copos de água.
Sei que conciliar o meu trabalho (que sou eu sozinha), com os miúdos sistematicamente doentes, e com todas as coisas que daí vem é duro.
É duro, sim.
Mas é a minha realidade, sempre foi.

Um dia vou saber o que é a serenidade e a paz de estar uma casa sem doenças. Havemos de lá chegar, a seu tempo.

Sei também, que o meu reencontro estará no mesmo sítio onde hoje me sinto perdida, nesse oceano.
Sei que tenho dois remos e um barco para chegar a bom porto. As ondas da noite, que assustam, não passam desses desafios que nos obrigam a desbastar, a ir mais ao de dentro, a dar mais de corpo, a lutar contra, a um tal esforço que quando conseguir chegar ao outro lado da tempestade, o sol brilhará com tanta força que me deixará em plena contemplação, e aí, chegará a seu tempo o retorno de uma luta forte e vencida.

Preciso de tempo para o meu reencontro.
Abrandarei.
Tentarei não desistir.
Sei que me perdi nos meus objectivos, que desiludi algumas “seguidoras”, que experimentei ferramentas de trabalho que talvez se tenham virado contra mim, mas bolas, quem nunca…

Massacro-me com os bons exemplos ao meu lado, por nunca me sentir capaz, tão boa, ou com um trabalho e percurso tão exemplar, também aqui me perdi.
Às pessoas que tiveram o meu follow e un-follow, que é só mais uma tormenta que me consome, peço sinceras desculpas, foi apenas uma ferramenta de trabalho, no meio de tantas doenças e pouca atenção que podia dar ao mundo das redes sociais, que usei, por 3 semanas, para me dar um empurrão e me segurar as pontas num momento tão difícil em que pouco conseguia abrir o telefone. Se foi um erro já está feito, se não é um drama assim tão grande, espero que não.

Tento todos os dias ser verdadeira e transparente.
Não sou de esquemas, e para a minha consciência era importante escrever publicamente sobre isso. Acho que não foi crime, foi só uma tentativa ingénua de que me pudesse ajudar.

Serei sempre eu aqui, não sabendo o que estará para vir, mas na certeza de que sou muito grata às Mulheres bonitas que me enchem a caixa de mensagens com carinho, boa energia e com preocupação genuína. É por essas pessoas que escrevo hoje.

A quem sempre acreditou neste projecto obrigada, desculpem a faceta dramática (afinal a minha Mãe tinha razão, há todo um drama em mim!!! lol)

Beijinhos e até breve,
A vossa MU

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